Desde criança ele sempre sonhou em ser piloto. O sonho se tornou realidade. Mais que isso, José Fernando Portugal Motta, recebeu prêmios e foi o primeiro da América Latina e o terceiro do mundo a escrever com fumaça no céu. Seu nome é citado em vários livros e suas histórias foram contadas no livro "O homem que escreve no céu", do jornalista José Roberto de Alencar.
Aventuras
Portugal passou por grandes momentos em sua vida. Um dos mais emocionantes, segundo ele, foi o salvamento de mais de 100 pessoas no incêndio que destruiu, em 1972 o edifício Andraus, em São Paulo. O incêndio começou no segundo andar e as pessoas ao invés de descerem, subiram. O comandante contou que sua secretária ligou avisando do incêndio e, imediatamente, ele foi para o local. O prédio, com aproximadamente trinta andares, tinha um heliporto no terraço.
"O desespero era geral, pessoas pulavam e gritavam. O Corpo de Bombeiros fez um trabalho fantástico, me ajudou muito. Não fosse o controle que exerceram sobre as pessoas, não salvaríamos ninguém", lembrou. O aviador contou que foi o terceiro piloto a chegar no local. Em princípio estavam em três para tentar salvar milhares de pessoas com os helicópteros. "Em cada helicóptero encontravam quatro pessoas, além de mim, foi um sufoco. Demorávamos cerca de dez minutos para levar os feridos do edifício até o campo de Marte. Desobedeci a ordem e comecei a deixá-los na praça Duque de Caxias, que ficava próximo ao prédio e levava apenas dois minutos e meio. Com isso ganhei tempo e consegui retirar mais pesoas. Me lembro que a população que estava no chão colaborou muito", contou.
O comandante fez vários transportes de queimados do terraço para a praça. Somente ele salvou mais de cem pessoas. "Me lembro que fiquei com o cheiro de carne humana queimada por uns três dias, mas valeu a pena", orgulha-se.
Todo o salvamento durou aproximadamente três horas e, segundo ele, a solidariedade foi um dos fatores mais importantes da operação.
Por este salvamento, Portugal recebeu o título de cidadão paulista e cidadão paulistano, da Câmara dos Deputados e dos Vereadores de São Paulo, respectivamente. Dos Estados Unidos recebeu o título de piloto do ano pela Associação de Helicópteros Internacionais e o prêmio de heroísmo entregue pelo vice-presidente norte-americano.
Escrevendo no céu
A história de como o comandante Porugal se tornou o terceiro no mundo a escrever no céu começou com a Esquadrilha da Fumaça, ainda na FAB. Ele contou que treinava na hora do almoço e em todos os momentos de folga. A idéia de escrever no céu surgiu na época em que estava na Esquadrilha. Portugal estudou treinou e foi o primeiro no País a começar a escrever no céu. Foi ele quem ensinou todos os outros pilotos brasileiros.
Um fato curioso aconteceu um mês antes da morte de Ayrton Senna. "Eu parei de escrever no céu e a FAB me pediu (na verdade, me pagou) para ensinar os pilotos a escrever.
Ensinei os primeiros riscos e contornos, depois de um mês o Senna faleceu. Eles conseguiram escrever o "S" no céu. Me senti orgulhoso de ter ensinado aquela turma", recordou.
Outra façanha do aviador, foi em um de seus vôos acrobáticos pela "Dragões do Ar", nome da "sua esquadrilha da fumaça". Em 1984, a Philip Morris ofereceu a ele US$ 5 mil para escrever a palavra "MARLBORO" em cima do autódromo do Rio de Janeiro, em Jacarepaguá. A corrida de Fórmula 1 começaria ao meio dia e depois da largada ninguém mais desgrudaria os olhos da pista para o céu. "Eu tinha quinze minutos para escrever, treinei um mês. Fiz a primeira perna M a direita e segui para a esquerda, descendo a segunda perna. Novo looping e subi na terceira perna, descia na última perna do M quando o conrole entrou me mandando sair da área, porque um avião da FAB jogava paraquedistas civis. Naquele momento disse que não sairia daquele local por nada e acabaria de escrever a palavra, deu certo. Quando só faltava o ORO de MARLBORO, a luz de pressão da gasolina começou a ascender. Foi um sufoco, mas escrevi a palavra até o final, correndo o risco de cair. Consegui. Quando estava no solo e perguntei a um pipoqueiro o que ele havia visto escrito no céu e ele respondeu sem saber quem eu era, MARBOLRO, fiquei contentíssimo e mandei a fatura", recordou.
Nesta época, ele trabalhava com seu próprio avião. Muitas empresas famosas o contrataram para escrever no céu entre elas estão a Coca-Cola, Kibon, Globo, Chevrolet, entre outras.
Hoje, Portugal faz palestras e acaba de escrever seu livro.
Ele falou que se pudesse voltar no tempo não mudaria nada do que fez. "Minha família e a aviação são meus dois grandes orgulhos e não troco minha vida por nada, estou satisfeito", afirmou.